Nossa Mestra, Lya Luft, está com a razão. Somos todos alucinados. Porém, ao mesmo tempo, nada fazemos contra esse estado de coisas. Há 43 anos, nós ainda nos reuníamos e discutíamos. Alguns de nós chegaram mesmo a atuar, a correr riscos nas Assembléias de Estudantes, nos pronunciamentos do Carlos Lacerda no Cine Ritz da Consolação (lembra-se?). Hoje, ficamos sentados diante de nossos computadores recebendo e repassando mensagens... Parece mesmo que não lembramos que a massa populacional do Brasil compreende 4/5 de ignorantes (incluindo-se entre estes os pseudo-intelectuais que, na nossa época, eram simpaticamente chamados de "festivos"). Está certo que a nossa arma é o voto no dia 1º de outubro. Mas infelizmente, será uma arma derrotada. A grande massa ignara vai perpetuar a corja de plantão no poder. Talvez tenhamos uma oportunidade, depois das eleições, mas não acredito que seja pacífica. Nossa arma está, creio eu, por ocasião dessa oportunidade, numa Imprensa digna, independente, desvinculada, apartidária. Uma Imprensa que produza Jornalismo e não essa coisa tendenciosa a que temos assistido. Neste momento da conjuntura política nacional, não se trata mais de ficar tentando "manter as aparências" e de ficar com simpatias pessoais para com o Bufo hirsutus do Planalto. Temos de combater - e eliminar - toda a saparia do brejo planaltino. Temos de passar a limpo este país (já ouvimos esta frase antes, possivelmente na ante-sala de alguma pizzaria) e, para tanto, será preciso que os intelectuais façam uso de sua prerrogativa de formadores de opinião. E temos de agir rápido, pelo menos temos de "montar um esquema" de reação. Antes que se concretize o que o Bufo hirsutus disse para o Straub... Não podemos permitir que um governante fale que tem vontade de fechar o Congresso. E não podemos aceitar que a Imprensa - esta que aí está - fique calada, não se manifeste, não divulgue o que aconteceu, deixando apenas que um ou outro colunista teça um comentário. Estamos a caminho da formação de uma União Socialista das Repúblicas Latino-Americanas. Mesmo sendo um modelo comprovadamente falido (o da URSS), o perigo existe, mesmo porque estamos todos cansados de saber que os "líderes" não possuem outra ideologia que não a do poder. Deter o poder, obviamente, com todas as suas benesses.
20 setembro 2006
O Hatzinger que ruge
Herr Hatzinger parece ser esse soldado e toda a cúpula do Vaticano está fazendo o papel da mãe do reco que, orgulhosa, diz: Vejam! Todos estão marchando errado, menos o meu filho!
O nosso Papa conseguiu recriar motivos para uma – agora sim, verdadeira – jihad. Não há no planeta um só islamita que não tenha se sentido profundamente ofendido por aquele seu desastrado pronunciamento em Regensburg. E é evidente que sinceros e justificáveis sentimentos de raiva e vingança emergiram fazendo com que o clamor inicial acabasse por se transformar em atos de violência.
Porém, nos dias de hoje, uma guerra santa não é movida apenas por conceitos religiosos, mas também por motivações políticas e econômicas que, justamente por estarmos no Século XXI, acabam por pesar mais nas ações e reações advindas de um incidente que, no frigir dos ovos, não deixa de ser uma excelente desculpa para acender o estopim.
Herr Hatzinger fez a besteira. Como uma criança, que fala sem pensar. Não contente, persistiu na burrice e está teimando em não se desculpar. Como um adolescente que não quer reconhecer o erro.
O resultado está aí: movimentação em torno das armas, todos prontos para usá-las contra o catolicismo.
Só contra o catolicismo? Só contra o Vaticano?
Não. As bandeiras queimadas em Basra não foram apenas as do Papa, mas também as de Israel – que nada tem a ver com Herr Hatzinger – e dos USA – cuja maioria populacional não é católica.
A guerra santa eclodirá entre o Oriente Médio – leia-se islamismo – contra o Ocidente, independentemente das religiões abraçadas.
As ameaças de ataques terroristas contra o Vaticano têm uma conotação diferente. Parece que ouvimos os líderes islâmicos – na verdade líderes políticos que seguem o Islã, ou dizem que seguem – falando: Vamos atacar o Vaticano para provocar a reação dos americanos.
Será que Herr Hatzinger não imaginava que aquele seu pronunciamento haveria de detonar uma reação desse porte por parte dos islamitas? Ou será que ele apenas quis testar o quanto de costas quentes ele tem?
Seria bom que algum desses cardeais que vivem no meio do luxo e intelectualidade do Vaticano soprasse no ouvido do Papa que o orgulho por não querer reconhecer o erro – e conseqüentemente, pedir desculpas – pode levar a conseqüências muito mais sérias até mesmo do que foi o 11 de Setembro. E, em algum momento desse conselho, tentar injetar na mente do Herdeiro de São Pedro, a idéia de que o rato, para rugir, tem de no mínimo estar bem defendido pelo leão. Aliás, pelo verdadeiro leão.
20 setembro 2006
Silêncio Perigoso
Nossa Mestra, Lya Luft, está com a razão. Somos todos alucinados. Porém, ao mesmo tempo, nada fazemos contra esse estado de coisas. Há 43 anos, nós ainda nos reuníamos e discutíamos. Alguns de nós chegaram mesmo a atuar, a correr riscos nas Assembléias de Estudantes, nos pronunciamentos do Carlos Lacerda no Cine Ritz da Consolação (lembra-se?). Hoje, ficamos sentados diante de nossos computadores recebendo e repassando mensagens... Parece mesmo que não lembramos que a massa populacional do Brasil compreende 4/5 de ignorantes (incluindo-se entre estes os pseudo-intelectuais que, na nossa época, eram simpaticamente chamados de "festivos"). Está certo que a nossa arma é o voto no dia 1º de outubro. Mas infelizmente, será uma arma derrotada. A grande massa ignara vai perpetuar a corja de plantão no poder. Talvez tenhamos uma oportunidade, depois das eleições, mas não acredito que seja pacífica. Nossa arma está, creio eu, por ocasião dessa oportunidade, numa Imprensa digna, independente, desvinculada, apartidária. Uma Imprensa que produza Jornalismo e não essa coisa tendenciosa a que temos assistido. Neste momento da conjuntura política nacional, não se trata mais de ficar tentando "manter as aparências" e de ficar com simpatias pessoais para com o Bufo hirsutus do Planalto. Temos de combater - e eliminar - toda a saparia do brejo planaltino. Temos de passar a limpo este país (já ouvimos esta frase antes, possivelmente na ante-sala de alguma pizzaria) e, para tanto, será preciso que os intelectuais façam uso de sua prerrogativa de formadores de opinião. E temos de agir rápido, pelo menos temos de "montar um esquema" de reação. Antes que se concretize o que o Bufo hirsutus disse para o Straub... Não podemos permitir que um governante fale que tem vontade de fechar o Congresso. E não podemos aceitar que a Imprensa - esta que aí está - fique calada, não se manifeste, não divulgue o que aconteceu, deixando apenas que um ou outro colunista teça um comentário. Estamos a caminho da formação de uma União Socialista das Repúblicas Latino-Americanas. Mesmo sendo um modelo comprovadamente falido (o da URSS), o perigo existe, mesmo porque estamos todos cansados de saber que os "líderes" não possuem outra ideologia que não a do poder. Deter o poder, obviamente, com todas as suas benesses.
O Hatzinger que ruge
Herr Hatzinger parece ser esse soldado e toda a cúpula do Vaticano está fazendo o papel da mãe do reco que, orgulhosa, diz: Vejam! Todos estão marchando errado, menos o meu filho!
O nosso Papa conseguiu recriar motivos para uma – agora sim, verdadeira – jihad. Não há no planeta um só islamita que não tenha se sentido profundamente ofendido por aquele seu desastrado pronunciamento em Regensburg. E é evidente que sinceros e justificáveis sentimentos de raiva e vingança emergiram fazendo com que o clamor inicial acabasse por se transformar em atos de violência.
Porém, nos dias de hoje, uma guerra santa não é movida apenas por conceitos religiosos, mas também por motivações políticas e econômicas que, justamente por estarmos no Século XXI, acabam por pesar mais nas ações e reações advindas de um incidente que, no frigir dos ovos, não deixa de ser uma excelente desculpa para acender o estopim.
Herr Hatzinger fez a besteira. Como uma criança, que fala sem pensar. Não contente, persistiu na burrice e está teimando em não se desculpar. Como um adolescente que não quer reconhecer o erro.
O resultado está aí: movimentação em torno das armas, todos prontos para usá-las contra o catolicismo.
Só contra o catolicismo? Só contra o Vaticano?
Não. As bandeiras queimadas em Basra não foram apenas as do Papa, mas também as de Israel – que nada tem a ver com Herr Hatzinger – e dos USA – cuja maioria populacional não é católica.
A guerra santa eclodirá entre o Oriente Médio – leia-se islamismo – contra o Ocidente, independentemente das religiões abraçadas.
As ameaças de ataques terroristas contra o Vaticano têm uma conotação diferente. Parece que ouvimos os líderes islâmicos – na verdade líderes políticos que seguem o Islã, ou dizem que seguem – falando: Vamos atacar o Vaticano para provocar a reação dos americanos.
Será que Herr Hatzinger não imaginava que aquele seu pronunciamento haveria de detonar uma reação desse porte por parte dos islamitas? Ou será que ele apenas quis testar o quanto de costas quentes ele tem?
Seria bom que algum desses cardeais que vivem no meio do luxo e intelectualidade do Vaticano soprasse no ouvido do Papa que o orgulho por não querer reconhecer o erro – e conseqüentemente, pedir desculpas – pode levar a conseqüências muito mais sérias até mesmo do que foi o 11 de Setembro. E, em algum momento desse conselho, tentar injetar na mente do Herdeiro de São Pedro, a idéia de que o rato, para rugir, tem de no mínimo estar bem defendido pelo leão. Aliás, pelo verdadeiro leão.